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Specters RPG: o que diferencia o jogo de outros RPGs de caça-fantasmas

Specters RPG usa o Year Zero Engine para criar investigações em lugares assombrados. Entenda suas diferenças e conheça a edição brasileira.

Por Taiguara Rangel 17 de setembro, 2026 8 min de leitura
Câmera registra uma aparição fantasmagórica no corredor escuro de um edifício abandonado
Arte de divulgação de Specters Ano Zero, RPG de investigação e caça a fantasmas. Crédito: Odyssey Publicações.

Specters RPG se diferencia de outros jogos de investigação sobrenatural ao concentrar toda a campanha na rotina de caçadores de fantasmas e usar o Year Zero Engine para transformar riscos físicos, trauma e consequências em parte constante das investigações. Os personagens podem atuar como profissionais, pesquisadores, médiuns, produtores de conteúdo ou pessoas movidas por experiências pessoais com o sobrenatural.

O jogo chegará ao Brasil pela Odyssey Publicações, responsável pela tradução e pela edição nacional. A campanha de financiamento coletivo está disponível no MeepleStarter até 8 de novembro de 2026, com o PDF por R$ 30 e o livro físico acompanhado da versão digital por R$ 135.

Essa combinação entre uma premissa aberta e um sistema voltado à pressão ajuda a definir a proposta. Enquanto alguns RPGs sobrenaturais apresentam organizações prontas, mitologias amplas ou protagonistas que pertencem ao mundo dos mortos, Specters começa com uma pergunta mais direta: por que esse grupo decidiu entrar em lugares assombrados e confrontar os espíritos que continuam neles?

O que é Specters RPG

Specters é um RPG de terror e investigação paranormal criado e ilustrado por Morné Schaap. A edição original foi publicada pela Just Insert Imagination, enquanto a versão brasileira está sendo preparada pela Odyssey Publicações com o título Specters Ano Zero.

Os jogadores interpretam investigadores, médiuns e caçadores de fantasmas que entram em casas amaldiçoadas, asilos esquecidos, hotéis abandonados e outros locais nos quais a presença dos mortos interfere no mundo dos vivos. Cada caso envolve descobrir o que aconteceu, compreender a entidade e decidir como lidar com ela.

A estrutura permite grupos com identidades diferentes. Os personagens podem trabalhar para uma empresa especializada, manter um canal de vídeos sobre lugares assombrados, estudar o sobrenatural ou perseguir uma teoria pessoal. Assim, a campanha define sua própria relação com as assombrações sem depender de uma organização oficial estabelecida pelo cenário.

O que diferencia Specters de outros RPGs de caça-fantasmas

O diferencial de Specters está na combinação entre foco temático, liberdade para montar o grupo e uma mecânica que coloca pressão sobre cada tentativa. O jogo não procura abranger todas as formas de horror sobrenatural com o mesmo peso. Seu núcleo são lugares assombrados, espíritos inquietos e pessoas que escolheram investigar essas manifestações.

Em jogos como O Chamado de Cthulhu, a investigação costuma conduzir os personagens a cultos, criaturas e verdades cósmicas que ultrapassam a compreensão humana. Vaesen trabalha com criaturas do folclore e conflitos entre o mundo moderno e tradições antigas. Já Wraith: The Oblivion coloca os próprios mortos como personagens.

Specters mantém a câmera sobre os vivos que entram voluntariamente em ambientes assombrados. Os fantasmas constituem o centro dos mistérios e das ameaças. O livro também inclui regras para criar locais assombrados, gerar perigos espectrais e equipar os investigadores, permitindo que o grupo construa casos dentro dessa proposta específica.

O tom também pode variar conforme a identidade dos personagens. Uma equipe profissional pode tratar cada assombração como um trabalho, enquanto criadores de conteúdo podem assumir riscos em busca de audiência. Pesquisadores podem tentar comprovar uma teoria, e sobreviventes podem procurar respostas sobre uma experiência traumática. Essa motivação interfere na maneira como o grupo aborda pistas e decide até onde está disposto a avançar.

Como funciona o Year Zero Engine em Specters

Specters usa o Year Zero Engine, sistema criado pela Free League e adaptado em jogos como Mutant: Ano Zero, Alien, Forbidden Lands, Tales from the Loop e Vaesen. Portanto, a informação do rascunho de que o jogo usaria Breathless não corresponde ao sistema apresentado na campanha.

Os testes combinam o valor de um atributo com o de uma perícia para formar uma reserva de dados de seis faces. O jogador procura resultados 6, que representam sucessos. Essa estrutura permite identificar rapidamente se o personagem conseguiu realizar a ação e quantos dados pode reunir antes de tentar.

Quando o primeiro resultado não resolve a situação, o jogador pode forçar a rolagem. Essa escolha oferece uma nova oportunidade, embora possa trazer um custo ou uma consequência. Em uma investigação paranormal, a decisão cria uma tensão concreta: insistir pode revelar uma pista, abrir uma passagem ou permitir o uso de um equipamento, mas também aumenta a exposição do personagem ao perigo.

Essa lógica separa Specters de jogos baseados em uma rolagem percentual contra o valor de uma perícia e de sistemas que usam apenas uma dificuldade fixa. A reserva de d6 torna visível a capacidade do personagem, enquanto a possibilidade de forçar o teste converte o risco em uma decisão do jogador.

A investigação leva ao confronto com a entidade

Em Specters, investigar significa compreender o lugar assombrado e a entidade ligada a ele. A preparação de uma história envolve criar o local, estabelecer a ameaça espectral e distribuir elementos que ajudem os jogadores a reconstruir os acontecimentos.

O mistério possui uma função prática. Descobrir quem é o espírito, o que aconteceu antes de sua morte e por que ele permanece naquele espaço ajuda o grupo a decidir como enfrentar a assombração. O caso pode exigir equipamentos, conhecimento especializado, contato com testemunhas ou uma aproximação direta com a entidade.

Ao mesmo tempo, o sobrenatural representa um risco físico e psicológico. A apresentação brasileira menciona danos, trauma duradouro e morte entre as consequências possíveis. Dessa forma, os personagens não atuam apenas como observadores de fenômenos: eles colocam o próprio corpo e suas convicções em risco para obter respostas.

Essa estrutura comporta aventuras fechadas e campanhas mais longas. Uma sessão pode acompanhar a entrada em um único local e a resolução de sua assombração. Em uma campanha, os casos podem revelar conexões, aprofundar as motivações dos investigadores e mostrar consequências trazidas de uma ocorrência para a seguinte.

Que tipo de terror Specters oferece

Specters ocupa um espaço intermediário entre o mistério investigativo e a caça paranormal. O grupo procura pistas e reconstrói acontecimentos, porém também possui ferramentas para entrar nos locais e confrontar manifestações. A campanha pode adotar um tom documental, profissional ou pessoal conforme a origem da equipe.

Quem procura horror cósmico, grandes organizações ocultistas ou personagens sobrenaturais encontrará outras prioridades em jogos como O Chamado de Cthulhu, Delta Green e Wraith. Specters concentra seus procedimentos no trabalho dos caçadores e no ciclo de entrar em um local, investigar sua história e encarar aquilo que permanece ali.

O uso do Year Zero Engine também aproxima o jogo de grupos que preferem reservas de dados e decisões de risco. A mecânica de forçar rolagens ajuda a manter a investigação em movimento, pois o jogador pode insistir quando uma ação decisiva falha e aceitar as consequências dessa escolha.

Quem publica Specters no Brasil

A edição brasileira é da Odyssey Publicações. Marcus Mauro assina a tradução, enquanto Leandro Jardim e Alvaro Ramos cuidam da revisão. Raul Galli e André Lucas Paes respondem pela diagramação, e Leandro Jardim também realiza a coordenação do projeto.

O criador Morné Schaap assina o texto e as ilustrações da edição original, publicada pela Just Insert Imagination. A Free League reconhece Specters entre os jogos construídos com o Year Zero Engine, embora a obra pertença ao catálogo de produções independentes que utilizam o sistema.

A edição nacional terá aproximadamente 150 páginas coloridas, no formato 16 cm por 23 cm, com miolo em papel couché de 115 g. A capa dura aparece como a primeira meta extra da campanha.

Quanto custam as versões de Specters RPG

A campanha oferece duas opções principais para adquirir Specters:

  • PDF por R$ 30: entrega digital prevista para 12 de novembro de 2026;
  • Livro físico e PDF por R$ 135: inclui as metas extras e frete para todo o Brasil, com entrega prevista para 26 de fevereiro de 2027.

Também estão disponíveis recompensas com outros jogos publicados pela Odyssey, incluindo Kilombo Ano Zero, Mythwoven: Gerador Colaborativo de Povoados e Metal Gods of the Apocalypse.

Em consulta realizada em 17 de setembro de 2026, a campanha registrava R$ 1.850 dos R$ 2.000 estabelecidos como meta fixa, equivalente a 93%. O financiamento começou em 8 de setembro e permanecerá aberto até 8 de novembro.

Para quem Specters RPG funciona

Specters atende grupos que querem investigar casas assombradas, interpretar caçadores de fantasmas e resolver casos com uma mecânica baseada em reservas de d6. A possibilidade de criar uma empresa, um canal de conteúdo ou uma equipe de pesquisadores ajuda cada mesa a definir o tom da campanha.

O jogo oferece menos aderência para grupos interessados em horror cósmico, extensas sociedades secretas ou campanhas nas quais os personagens sejam as próprias entidades sobrenaturais. Sua proposta se concentra nos vivos, nos locais assombrados e nas consequências de atravessar repetidamente a fronteira entre os dois mundos.

O próximo passo para quem se interessa por essa estrutura é consultar as recompensas, os prazos e as metas na página do projeto. Como os valores arrecadados podem mudar durante a campanha, a situação atualizada deve ser conferida diretamente no MeepleStarter antes do apoio.

Conheça Specters Ano Zero

Consulte as versões digital e física, as metas extras e os prazos da edição brasileira publicada pela Odyssey Publicações.

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