A Licença da Comunidade de Ordem Paranormal não transfere os direitos autorais do cenário nem transforma o jogo em um sistema aberto. O documento estabelece permissões limitadas para que fãs publiquem fanarts, homebrews, vídeos, fichas virtuais e projetos comerciais relacionados a Ordem Paranormal. Rafael “Cellbit” Lange continua como titular dos personagens, marcas, elementos narrativos e da estética da propriedade, enquanto cada criador mantém os direitos sobre as partes originais de seu trabalho.
A versão 1.0 da licença, atualizada em 28 de junho de 2026, permite inclusive a venda de regras e missões originais, além de financiamentos coletivos, desde que o projeto respeite restrições sobre textos oficiais, personagens, organizações, identidade visual, inteligência artificial e apresentação do material. A licença também é revogável e pode ser atualizada, característica que a diferencia de modelos como a ORC.
O que foi anunciado
A equipe de Ordem Paranormal publicou a primeira versão da Licença da Comunidade de Ordem Paranormal, documento que organiza os usos públicos, gratuitos e comerciais da propriedade criada por Cellbit. A licença se aplica a conteúdos compatíveis, derivados ou inspirados no universo, desde que sejam distribuídos ao público geral.
O documento é concedido formalmente por Cellbit, identificado como titular exclusivo dos direitos autorais, marcas, personagens e elementos narrativos de Ordem Paranormal. A Jambô Editora participou do processo de discussão: em uma atualização publicada em fevereiro de 2026, Cellbit afirmou que estava realizando reuniões com a editora para elaborar regras voltadas à produção independente.
A licença não se aplica a materiais preparados apenas para grupos fechados de até dez pessoas. Uma missão caseira, ficha adaptada ou regra utilizada somente em uma mesa privada não precisa seguir seus termos. As exigências passam a valer quando o conteúdo é publicado ou distribuído para o público.
O que é a Licença da Comunidade de Ordem Paranormal
Uma licença de comunidade é uma autorização concedida pelo titular de uma propriedade intelectual para usos específicos de seus elementos. Ela não equivale à liberação integral de uma obra nem concede aos fãs propriedade sobre o cenário.
No caso de Ordem Paranormal, a licença separa os projetos em duas categorias: conteúdo de fã, disponibilizado sem cobrança, e conteúdo comercial, oferecido mediante venda, assinatura, financiamento coletivo ou outra forma de pagamento. Ambos precisam seguir as condições obrigatórias indicadas no documento.
A licença é descrita como limitada, condicional, não exclusiva, intransferível e revogável. O criador independente recebe uma permissão de uso enquanto cumprir as regras, mas não pode transferir essa autorização para outra pessoa ou apresentar seu produto como oficial.
Quais conteúdos gratuitos são permitidos
A lista de conteúdo gratuito autorizado é relativamente ampla. Ela inclui fanarts, fanfics, músicas, universos alternativos, histórias envolvendo relacionamentos entre personagens, homebrews, fichas para mesas virtuais, wikis, guias, análises, tutoriais, vídeos, podcasts, transmissões e traduções feitas por fãs.
Homebrew é o termo usado no RPG de mesa para regras, criaturas, personagens, equipamentos ou aventuras criados pela comunidade. Esses materiais podem se basear nas regras de Ordem Paranormal RPG, mas não podem copiar os textos dos livros oficiais.
Vídeos, streams e podcasts podem exibir trechos de regras, ilustrações ou informações do cenário, mas o limite acumulado é de 10% de cada publicação oficial. Dividir a reprodução em vários vídeos não amplia esse limite. A monetização por anúncios, assinaturas, doações e receitas da própria plataforma continua permitida.
Também é possível utilizar trilhas sonoras oficiais publicadas nos canais de Ordem Paranormal em plataformas de streaming. Reuploads de episódios completos, por outro lado, só são autorizados após o lançamento gratuito oficial e precisam incluir uma reação ou análise substancial e predominante.
O que pode ser vendido sob a licença
A licença permite a comercialização de ilustrações, mapas, tokens, esculturas, peças de cosplay e outros produtos artísticos, desde que sejam produzidos artesanalmente. Fabricação industrial, produção em série, terceirização em larga escala e criação de uma linha comercial de produtos não estão cobertas.
Também é possível vender homebrews, como regras, missões, suplementos digitais, publicações impressas, aplicativos e módulos para VTT. VTT, abreviação de virtual tabletop, é uma plataforma digital usada para fichas, mapas, rolagens e gerenciamento de partidas online.
Esses projetos não podem reproduzir textos nem imagens dos livros. Eles podem empregar terminologias gerais do sistema, incluindo atributos, Pontos de Vida, Pontos de Esforço, Sanidade, Determinação, classes, trilhas, perícias, poderes, rituais, NEX, Membrana, Outro Lado e os cinco Elementos.
A licença também permite usar Ordo Realitas. Outros elementos específicos da narrativa oficial, porém, não podem aparecer em produtos comerciais. A restrição abrange nomes próprios de personagens, organizações, entidades, lugares, acontecimentos e obras do cânone, como Agatha, Kian, Santo Berço e Hexatombe.
Financiamento coletivo precisa de autorização?
Financiamento coletivo é classificado expressamente como uma forma de cobrança. Quando o projeto se enquadra na lista de conteúdos comerciais permitidos e cumpre todas as condições da licença, ele pode ser publicado sem pedido prévio de autorização.
A versão 1.0 não determina teto de arrecadação, royalties ou prestação periódica de contas ao titular da marca. Isso não remove outras obrigações do responsável pela campanha, como entrega das recompensas, cumprimento da legislação, respeito a direitos de terceiros e atendimento às regras da plataforma utilizada.
Selo, identidade visual e uso da marca
Todo conteúdo publicado sob a licença precisa exibir o selo oficial na capa, thumbnail ou apresentação equivalente. O selo deve ocupar uma largura mínima correspondente a 10% da capa, permanecer totalmente opaco e ser apresentado de maneira legível.
Em conteúdos puramente textuais, o selo pode ser substituído por uma declaração logo depois do título: “Este é um conteúdo não oficial, publicado sob a Licença da Comunidade de Ordem Paranormal”.
Ao mesmo tempo, o projeto não pode usar a marca “Ordem Paranormal”, logotipos oficiais, marcas de séries ou livros, nem copiar a identidade visual e o projeto gráfico das publicações. A exigência cria uma distinção prática entre compatibilidade e apresentação: o material pode utilizar as regras e os termos autorizados, mas sua capa e diagramação precisam ter identidade própria.
Também não é permitido registrar domínios, marcas ou perfis que incluam Ordem Paranormal ou nomes que possam causar confusão. O criador não pode sugerir parceria, supervisão, aprovação ou endosso oficial.
Como a licença trata conteúdo gerado por inteligência artificial
A versão 1.0 estabelece uma divisão direta entre projetos gratuitos e comerciais. Conteúdo comercial não pode incluir textos, imagens ou outros materiais gerados por inteligência artificial.
Em projetos gratuitos, o uso de material gerado por IA é permitido, mas precisa ser informado ao público. O aviso deve aparecer próximo ao selo da licença e seguir as mesmas regras de tamanho, visibilidade e apresentação.
A proibição comercial atinge qualquer parte do produto descrita como gerada por IA, não apenas a ilustração de capa. Autores interessados em vender suplementos precisam manter registros de autoria, contratos, encomendas e licenças dos materiais utilizados.
O que muda nos direitos autorais
O principal efeito da licença é definir uma autorização pública de uso. Cellbit preserva os direitos sobre o universo, os personagens, a estética e os elementos narrativos de Ordem Paranormal. O autor independente mantém os direitos autorais sobre as regras, textos, ilustrações e demais contribuições originais que produzir.
Essa divisão não autoriza o criador a reivindicar propriedade sobre termos ou elementos pertencentes ao cenário. Também não impede que a equipe oficial desenvolva, de maneira independente, ideias semelhantes a um conteúdo publicado pela comunidade.
A licença pode ser atualizada a qualquer momento. Segundo o documento, conteúdos já publicados mantêm os direitos previstos na versão vigente no momento da publicação, mas novas edições, expansões e relançamentos precisam seguir a versão mais recente.
O direito de uso é encerrado automaticamente em caso de descumprimento, tentativa de apresentar o material como oficial ou tratamento irregular de dados pessoais. Após o encerramento, o conteúdo deve ser retirado de circulação. A licença também determina que, em dúvidas, conflitos ou interpretações ambíguas, prevalece a decisão de Cellbit.
Como a licença se compara à OGL, à ORC e à licença da Jambô
| Licença | Objeto principal | Estabilidade | Principais características |
|---|---|---|---|
| Ordem Paranormal | Conteúdo de fã e comercial relacionado ao sistema e ao universo | Revogável e atualizável | Permite homebrews comerciais, mas restringe cânone, marca, identidade visual e IA |
| Licença Aberta da Jambô | Regras e mecânicas de Tormenta20 e 3DeT Victory | Direitos descritos como perpétuos, com atualização para futuras republicações | Autoriza uso de até 30% de conteúdo liberado e estabelece regras próprias para mídia e apresentação |
| ORC | Mecânicas e conteúdos licenciados por editoras participantes | Perpétua e irrevogável | Licença sistêmica, criada para não depender do controle posterior de uma única editora |
| OGL 1.0a | Conteúdo definido como Open Game Content por seus licenciadores | Mantida pela Wizards após a crise de 2023 | Foi utilizada durante décadas por editoras de jogos baseados no ecossistema d20 |
A comparação exige cuidado porque as licenças não cobrem exatamente o mesmo tipo de propriedade. A ORC é uma licença aberta e independente de sistema, voltada principalmente ao compartilhamento de mecânicas e conteúdo de jogo. A licença de Ordem Paranormal também regula fanarts, reações, músicas, personagens, identidade visual e outros usos ligados a uma propriedade multimídia.
Tormenta20 não utiliza atualmente a OGL como sua licença principal de conteúdo independente. O sistema está coberto pela Licença Aberta da Jambô, publicada para Tormenta20 e 3DeT Victory.
A crise da OGL em 2023 continua relevante como contexto. A Wizards of the Coast apresentou propostas para substituir e desautorizar a OGL 1.0a, mas recuou após a reação de jogadores e editoras. A empresa manteve a licença anterior e publicou o SRD 5.1 de Dungeons & Dragons sob Creative Commons.
Por que a licença importa para o RPG brasileiro
Ordem Paranormal concentra uma comunidade ativa de ilustradores, designers, roteiristas, streamers e autores de suplementos. Antes da publicação da licença, esses criadores não tinham em um único documento uma relação clara de conteúdos autorizados, obrigações de identificação e formas permitidas de monetização.
A versão 1.0 oferece caminhos concretos para a venda de missões, regras, mapas, tokens e projetos financiados coletivamente. Ao mesmo tempo, exige que esses produtos sejam reconhecidos por seu conteúdo mecânico e original, e não pela reprodução da narrativa, dos personagens ou da apresentação visual oficial.
O ponto de maior atenção é a centralização da licença. O documento pode ser atualizado, o direito de uso pode ser encerrado e a interpretação final pertence ao titular da propriedade. Essa estrutura oferece mais controle editorial sobre Ordem Paranormal, mas produz menos previsibilidade do que uma licença irrevogável como a ORC.
A licença também deixa questões práticas para futuras versões ou esclarecimentos. O texto não indica um canal específico para consultas, não apresenta um procedimento de recurso e não detalha como criadores devem tratar projetos anteriores à publicação da versão 1.0. Em empreendimentos comerciais de maior porte, a leitura integral do documento e a consulta jurídica continuam recomendáveis.
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Perguntas frequentes sobre a Licença da Comunidade de Ordem Paranormal
Posso criar conteúdo gratuito de Ordem Paranormal?
Sim. Fanarts, fanfics, homebrews, fichas virtuais, vídeos, podcasts, wikis, guias e traduções não comerciais estão entre os conteúdos permitidos, desde que cumpram as condições obrigatórias.
Posso vender uma aventura para Ordem Paranormal RPG?
Sim. Aventuras e missões originais podem ser vendidas em formato impresso, digital, aplicativo ou VTT, mas não podem copiar textos, imagens ou elementos narrativos restritos.
Posso usar personagens como Kian ou Agatha em um suplemento comercial?
Não. Produtos comerciais não podem usar nomes próprios de personagens, entidades, organizações, lugares, eventos ou obras específicas do cânone.
Posso mencionar a Ordo Realitas?
Sim. A Ordo Realitas aparece como uma exceção expressamente autorizada entre os termos do universo que podem ser empregados em homebrews comerciais.
Posso usar o logotipo de Ordem Paranormal na capa?
Não. O uso da marca, dos logotipos oficiais e da identidade visual de produtos de Ordem Paranormal é proibido. O projeto deve usar identidade gráfica própria e exibir o selo da licença.
Um financiamento coletivo precisa de autorização prévia?
Não, desde que o projeto pertença a uma categoria comercial permitida e siga todas as condições da licença. Financiamento coletivo é tratado como uma forma de cobrança.
Posso usar inteligência artificial em um produto comercial?
Não. A licença proíbe textos, imagens e outros materiais gerados por inteligência artificial em conteúdos comercializados.
Conteúdo gratuito pode usar inteligência artificial?
Sim, mas o projeto precisa informar claramente que contém material gerado por inteligência artificial. O aviso deve aparecer próximo ao selo da licença.
Preciso seguir a licença em uma campanha privada?
Não. Conteúdos usados apenas em grupos fechados e pequenos, com até dez pessoas, são considerados caseiros e não estão sujeitos às restrições do documento.
A licença de Ordem Paranormal é irrevogável?
Não. Ela é expressamente descrita como revogável e pode ser atualizada. Obras já publicadas preservam os termos da versão vigente na publicação, mas expansões e relançamentos seguem a versão mais recente.
Quem mantém os direitos sobre um homebrew original?
O autor mantém os direitos sobre suas contribuições originais. Cellbit continua titular dos direitos sobre o universo, os personagens, as marcas, a estética e os elementos narrativos de Ordem Paranormal.
A Licença da Comunidade é igual à ORC?
Não. A ORC é uma licença aberta, sistêmica, perpétua e irrevogável. A licença de Ordem Paranormal regula uma propriedade específica, inclui conteúdos de fã e pode ser alterada ou revogada.

