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Mar de Mortos: vale o apoio? Analisamos as Colônias e o prazo de entrega

Mar de Mortos aposta em horror zumbi brasileiro e administração de Colônias. Analisamos a mecânica divulgada, o estágio do livro e a previsão de entrega.

Por Taiguara Rangel 14 de agosto, 2026 7 min de leitura
Sobreviventes armados enfrentam uma horda de zumbis na arte promocional de Mar de Mortos
Arte promocional de Mar de Mortos, RPG brasileiro de sobrevivência zumbi criado por Lucas Gandra.

Mar de Mortos oferece uma proposta interessante para grupos que procuram sobrevivência zumbi ambientada no Brasil, com construção de personagens por Origens e Arquétipos e regras para administrar assentamentos. A recomendação de apoio depende de duas ressalvas: a campanha descreve a mecânica de Colônias de forma breve e o início das entregas em setembro de 2026 pressupõe que a impressão e a logística avancem logo após o financiamento.

O RPG nacional está em campanha no Catarse pela Fantastic Hub até 20 de agosto de 2026, às 23h58. Em consulta realizada em 19 de agosto, o projeto havia arrecadado R$ 6.183 com 38 apoiadores, equivalente a 69% da meta de R$ 9 mil. Esses valores podem mudar até o encerramento e devem ser conferidos na página de Mar de Mortos no Catarse.

Criado por Lucas Gandra, o jogo apresenta um Brasil devastado pelo vírus XZ-9. Hospitais entraram em colapso, cidades foram isoladas e diferentes comunidades precisam encontrar formas de sobreviver depois da queda das estruturas governamentais. A proposta utiliza cidades, rodovias, comunidades, desigualdades e limitações de infraestrutura brasileiras como elementos do cenário.

Mar de Mortos vale o apoio?

O apoio faz mais sentido para grupos interessados em horror de sobrevivência, conflitos dentro de comunidades e criação coletiva de bases. A ambientação brasileira oferece um recorte pouco frequente entre RPGs de apocalipse zumbi, especialmente ao incluir profissões e experiências locais na construção dos sobreviventes.

A principal limitação para uma decisão baseada em regras está na quantidade de informações públicas. A campanha classifica o sistema como minimalista e voltado à narração e à interpretação, mas concentra parte da explicação mecânica em imagens e apresentações em vídeo. A descrição textual não informa com precisão o procedimento central de testes, os dados utilizados ou a forma de calcular dificuldades e consequências.

A mesma questão aparece na mecânica de Colônias. A página confirma que existem regras e tabelas para criar comunidades e administrar recursos. Permanecem sem especificação pública os recursos controlados, as estatísticas de cada Colônia, a frequência das verificações e as consequências mecânicas de escassez ou conflitos internos.

O projeto oferece uma premissa definida e materiais suficientes para identificar seu gênero e seus temas. O apoiador que precisa avaliar a profundidade das regras antes da compra encontra menos elementos para comparação. Nesse caso, sessões transmitidas, vídeos de demonstração e respostas dos realizadores nos comentários podem complementar a descrição do Catarse.

Como funciona a mecânica de Colônias

As Colônias são sociedades formadas pelos sobreviventes depois do avanço da infestação. Segundo a campanha, os jogadores podem criar esses assentamentos com o auxílio de regras e tabelas e administrar os recursos necessários para mantê-los ativos.

Esse recurso amplia a escala das histórias. Uma campanha pode acompanhar as necessidades de uma comunidade, suas relações com grupos vizinhos e as decisões tomadas diante da falta de recursos. Os personagens passam a lidar com consequências que afetam outros sobreviventes, além dos riscos individuais de exploração e combate.

A gestão também pode criar objetivos recorrentes para as sessões. Uma Colônia precisa enviar grupos para procurar suprimentos, estabelecer rotas, negociar com comunidades ou enfrentar ameaças. A descrição disponível, entretanto, não permite determinar quanto desse funcionamento surge de regras estruturadas e quanto depende das decisões do narrador.

Há ainda uma distinção que merece atenção. A campanha apresenta as Colônias como parte do jogo básico e oferece um Suplemento de Colônias por R$ 51,90 entre os adicionais. A página identifica esse complemento como “Criação de Colônias”, mas não delimita quais regras estão no livro básico e quais conteúdos ficam reservados ao suplemento.

Para quem considera essa mecânica decisiva, o ponto mais seguro é solicitar aos realizadores uma descrição do escopo de cada livro. Essa resposta permite saber se o material básico já sustenta uma campanha centrada na administração de assentamentos ou se o suplemento será necessário para desenvolver essa parte do jogo.

Como funcionam Origens e Arquétipos

Os personagens são construídos pela combinação de uma Origem e um Arquétipo. A Origem representa a vida do sobrevivente antes do colapso, enquanto o Arquétipo descreve o papel que ele assumiu para continuar vivo.

A campanha cita caminhoneiros, policiais, bombeiros, médicos, agentes de saúde, pescadores, agricultores, técnicos e estudantes entre os possíveis pontos de partida. Essa estrutura ajuda a relacionar capacidades e conhecimentos dos personagens ao contexto brasileiro.

A combinação também permite separar profissão e comportamento dentro do grupo. Duas pessoas com a mesma Origem podem desenvolver funções diferentes depois do desastre. Da mesma forma, um mesmo Arquétipo pode ser interpretado a partir de experiências profissionais e sociais distintas.

A página exibe exemplos de Origens, Arquétipos e infectados em materiais gráficos. A apresentação textual não detalha quantas opções o livro oferece nem como essas escolhas modificam atributos, testes ou habilidades. Assim, é possível compreender a função narrativa da estrutura, enquanto sua profundidade mecânica depende de informações adicionais.

A entrega em setembro de 2026 é viável?

A Fantastic Hub afirma que o livro básico está pronto, revisado e finalizado. De acordo com a campanha, o trabalho restante consiste em imprimir o material e enviá-lo aos apoiadores, com início das entregas previsto para setembro de 2026.

Ter o arquivo finalizado reduz os riscos ligados a escrita, revisão e diagramação. Ainda permanecem as etapas de fechamento com a gráfica, impressão, acabamento, transporte, separação dos pedidos e postagem. A página não identifica publicamente a gráfica, a tiragem contratada ou um calendário detalhado dessas etapas.

A formulação usada pela campanha fala em início das entregas em setembro. Isso permite que os envios ocorram em lotes e avancem depois do primeiro mês. O prazo também pode variar entre recompensas digitais, livro físico, kits com acessórios e pedidos que incluam adicionais.

A declaração de que o livro está finalizado se refere diretamente ao volume básico. A campanha oferece ainda bloco de fichas, mapa e pôster, diário de campanha, suplemento de aventuras, guia de inimigos, suplemento de Colônias e uma graphic novel. A página não informa com a mesma clareza o estágio de produção de todos esses complementos.

Para avaliar o cronograma, o apoiador deve observar a recompensa escolhida. Um nível com poucos itens tende a envolver menos etapas logísticas que um kit com vários impressos e acessórios. Também é útil acompanhar as atualizações posteriores ao encerramento, pois a responsabilidade pela produção e entrega das recompensas pertence ao realizador, conforme informa o próprio Catarse.

O histórico da Fantastic Hub reduz o risco?

O perfil da Fantastic Hub no Catarse registrava 22 campanhas e mais de 500 publicações na data da consulta. As atualizações recentes incluem listas de envios de projetos anteriores e informações sobre materiais em diagramação ou encaminhamento para a gráfica.

Esse volume demonstra experiência recorrente com financiamento coletivo e comunicação pela plataforma. Ele não permite concluir, sozinho, que todas as campanhas anteriores cumpriram os cronogramas originais. Uma análise completa exigiria comparar as datas prometidas e efetivas de cada projeto.

Antes do apoio, vale consultar as atualizações públicas e os comentários das campanhas anteriores da editora. Os sinais mais úteis são frequência de comunicação, identificação das etapas de produção, listas de postagem e respostas a dúvidas sobre atrasos ou itens pendentes.

Veredito sobre o financiamento de Mar de Mortos

Mar de Mortos tem como pontos fortes a autoria nacional, o cenário brasileiro e a possibilidade de acompanhar comunidades durante o apocalipse. A combinação entre sobreviventes individuais e administração de Colônias pode sustentar campanhas em que buscar suprimentos, negociar e proteger assentamentos tenham peso semelhante aos confrontos com infectados.

A recomendação é mais cautelosa para quem escolhe um RPG pela transparência de suas engrenagens mecânicas. A campanha explica a função geral das Colônias, Origens e Arquétipos, mas oferece poucos procedimentos textuais para avaliar sua profundidade. A diferença entre o conteúdo de Colônias presente no livro básico e o suplemento adicional também merece confirmação.

O prazo de setembro ganha sustentação pelo estágio declarado do livro básico, já finalizado e revisado. O risco aumenta conforme a recompensa reúne suplementos, acessórios e outros materiais cujo estágio não está igualmente documentado. Para decidir, o próximo passo é conferir o nível desejado no Catarse e perguntar aos realizadores quais itens já estão prontos para impressão.

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