Acadêmico

‘O Jogo pela Regra’: livro reúne autores brasileiros para discutir a criação de sistemas em RPGs e LARPs

O Jogo pela Regra
Capa do livro “O Jogo Pela Regra”

Criar um jogo não é apenas inventar personagens, mundos e aventuras. É também decidir como os participantes irão interagir com esse universo. E, nesse processo, cada regra importa. Com essa premissa, foi lançado nesta quarta-feira (28) o livro “O Jogo pela Regra”, uma coletânea que reúne textos de autores brasileiros que criaram seus próprios RPGs e LARPs, refletindo sobre como uma única regra pode moldar toda a experiência de jogo.

O livro é resultado de um projeto de financiamento coletivo feito por apoiadores que acreditam na força criativa e política do jogo analógico. Graças à mobilização da comunidade, a obra foi viabilizada e agora está disponível gratuitamente para leitura e download.

Organizado como um convite à reflexão sobre o design de jogos, o livro apresenta capítulos nos quais os autores discutem a importância de uma regra específica em seus jogos. A pergunta que guia a coletânea é simples e provocadora: O que o autor pensou ao criar esta regra? O que ela está propondo aos jogadores?

Rafael Carneiro Vasques, pesquisador no campo do RPG e organizador da obra, destaca na introdução que o livro busca iluminar caminhos fora das fórmulas consagradas do gênero, a exemplo dos jogos inspirados em Dungeons & Dragons. “Tudo estava lá: classe de personagem, raça (argh), nível de personagem, seis atributos, d20 etc. Mas muitos outros criadores buscaram outras formas. É sobre estas buscas que este livro aborda”, afirma o organizador do livro.

Relembrando as origens do RPG, Vasques aponta que o gênero nasceu do encontro entre diferentes práticas culturais. “A criação de história, o desenvolvimento de universos ficcionais e a representação de personagens não foi criada pelo RPG, mas o RPG elaborou um novo formato para as atividades coletivas e ficcionais de criação de histórias e representação de personagens”, diz. Segundo ele, essa abertura à experimentação continua sendo uma das maiores potências do RPG e do LARP: “Qual a função de uma regra? Como e onde buscar inspiração? Bom, este é o caminho que pretendemos abordar neste livro”.

A coletânea traz nomes consagrados da cena brasileira de jogos analógicos, como Jorge Valpaços, Eduardo Caetano, Naomi Maratea, Cezar Capacle e muitos outros. Cada capítulo oferece uma imersão nas escolhas criativas de seu autor, revelando como as regras, por mais simples que pareçam, são centrais na experiência de jogar.

Confira os capítulos do livro:

  • Mônica de Faria — Os Roleplaying Games de Mesa como Meio Autônomo
  • Jairo Borges Filho — Eixo Moral: Drama entre Dois Pontos
  • Naomi Maratea — Para que Criar um Sistema Inteiro só para o seu Jogo?
  • Tadeu Rodrigues — A Panaceia em Nós
  • Jorge Valpaços — Desaprendendo a Jogar
  • Cezar Capacle — Sempre uma Opção, Nunca uma Obrigação
  • Renata Bruscato — De Cabo a Rabo (de Gato)
  • Júlio Matos — Sobre os Papéis em um Jogo de Papéis
  • Luiz Falcão — Notas da Viagem à Ilha das Bruxas
  • Rafael Carneiro Vasques — Hybris RPG
  • Leandro Godoy — O Essencial para Vizinhos
  • Luiz Prado — Quando a Regra é Não Ter Regras
  • Lucas Conti — Mojubá
  • Matheus Silveira e Viviane Ferreira — Copia, Cola e Transforma
  • Eduardo Caetano — A Regra pelo Objeto

O Jogo pela Regra está disponível para download gratuito e é leitura indispensável para quem se interessa por design de jogos, narrativas interativas e pelas potências sociais, políticas e estéticas que podem emergir a partir de uma única (ou complexa) regra.

Baixe gratuitamente em: https://raca.itch.io/o-jogo-pela-regra

Diogo Almeida

Jornalista, músico e jogador de RPG. Não necessariamente nesta ordem.