Dungeons & Dragons: Honra Entre Rebeldes – nostalgia e easter eggs não salvam roteiro e CGIs preguiçosos

“D&D – O Filme” ou “Dungeons & Dragons: Honra Entre Rebeldes”, estreou em terras tupiniquins pegando carona no vácuo e rastro do surpreendente e estrondoso sucesso sem precedentes que a animação “Super Mario Bros” está fazendo mundo afora – inclusive Mario também é uma outra adaptação do universo e multiverso dos games da Nintendo da década de 1980 – já D&D – O Filme é baseado no clássico do RPG da década de 1970, onde teve reconhecimento, maior sucesso e êxito com seu spin-off chamado “Caverna do Dragão”.
E sim… “Dungeons & Dragons: Honra Entre Rebeldes” tem relação com o desenho saudosista, clássico, nostálgico e sem fim “Caverna do Dragão”. Pois, tanto o filme quanto o desenho são baseados no famoso jogo de RPG, que teve sua primeira edição em 1974, “Dungeons & Dragons”. No entanto, suas histórias são completamente distintas.
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Caverna do Dragão
O seriado em formato de desenho animado “Caverna do Dragão”, que se popularizou no Brasil nas décadas de 1980/1990, virou febre com uma história contada por episódios, onde um grupo de crianças que vão a um parque de diversão e ao entrarem em uma montanha-russa acabam misteriosamente indo parar em uma outra dimensão, como que por um passe de mágica através de um portal dimensional.
Daí em diante as aventuras dos agora “garotos perdidos” se passam em um outro mundo, com seres mágicos, mitológicos e dragões – presos em uma espécie de loop temporal, os garotos vivem e sobrevivem para poderem encontrar ao final de cada aventura e desafio o tão sonhado portal que os leve de volta o parque e para casa.

Honra Entre Rebeldes
Enquanto isso na sala de justiça… essa nova versão do universo D&D em “Dungeons & Dragons: Honra Entre Rebeldes” é mais uma história também dentro do universo de “Dungeons & Dragons (RPG)”, focada em um bando de aventureiros, feiticeiros, elfos, bardos e rebeldes que precisam recuperar uma relíquia perdida.
As similaridades entre os personagens, as vestimentas e os poderes, por exemplo, são apenas indicações de que tanto o filme quanto a animação fazem parte de uma história mais macro e universal do mesmo game.
Em tempos que easter eggs cada vez mais diversos e ampliados dentros do filmes, viraram tendência quase que obrigatórias, assim como as referências cinematográficas, em “Dungeons & Dragons: Honra Entre Rebeldes” não poderia ser diferente – até porque as referências são inúmeras e nostálgicas.
Inclusive havia sido revelada com exclusividade durante a CCXP22, em dezembro passado, uma cenas onde vemos o Eric, Bobby, Presto, Hank, Diana e Sheila, personagens do clássico desenho animado “Caverna do Dragão”, dessa vez na tão sonhada live-action, em uma disputa em um labirinto junto com os heróis do filme – pura nostalgia, presente e deleite para os fãs.
Filme não engrena
Com todos os ingredientes que estão mais que em tendência e evidência no cenário do cinema atual mundial e mesmo pegando carona no sucesso de “Super Mario”… pasmem… mesmo assim e com tudo a favor e favorável… o filme não engrena e quiçá acontece – é sofrível e com roteiro fútil. Nem a dose de escapismo sugerida no trailer acontece ao menos para salvar o filme do fiasco.
Apesar do longa inspirado na clássica franquia setentista de RPG ter estreado no topo das bilheterias norte-americanas, arrecadando 38,5 milhões de dólares em seu primeiro final de semana em cartaz, desbancando John Wick 4 da liderança… isso só justifica a carência do público americano por filmes épicos, onde o lúdico e escapismo encantam – o que não é o caso de “Dungeons & Dragons: Honra Entre Rebeldes”… mesmo assim vai ser difícil o filme se manter nessa posição nas bilheterias americanas e mundiais – já canto a pedra.
D&D – O Filme é o clássico exemplo de que nem todos os bons autores, escritores e roteiristas podem e devem se tornar ou ser bons diretores. Não necessariamente nessa ordem – vide o gênio Frank Miller ao fazer solo a adaptação da sua HQ cult para os cinemas “The Spirit – O Filme”, que foi um fracasso – já outra HQ sua “Sin City – A Cidade do Pecado” dirigida por Robert Rodríguez e pelo próprio Miller, foi um sucesso, tanto que ganhou uma continuação “A Dama Fatal” – vai entender.
Falo isso pois o filme de D&D tem direção e roteiro de Jonathan Goldstein e John Francis Daley, que assinaram o ótimo roteiro de “Homem-Aranha: De Volta ao Lar”, e agora que saem do roteiro para a direção, ambos não conseguem repetir o mesmo êxito do roteiro anterior – aliás o roteiro é um fiasco, CGI péssimos e preguiçosos, tal qual “Quantumania”, sem química entre os personagens e muito menos interpretações, trilha sonora que não empolga em momento algum e o que resta de fato, onde podemos dizer: “ebaaaaa” é a cena com a participação rápida dos garotos da “Caverna do Dragão” – e ponto.

Elenco
Fico pensando como o ator Bradley Cooper de “Nasce uma Estrela” se sujeitou a fazer uma participação “especial” em filme como esse (?) onde seu personagem nem influi, nem contribui para nada versus nada na narrativa do filme – o elenco conta ainda com Chris Pine de “Mulher Maravilha”, Michelle Rodriguez de “Avatar”, Hugh Grant, de “Um Lugar Chamado Notting Hill”, e outros.
Ao final fica a dica para “Dungeons & Dragons: Honra Entre Rebeldes”: voltar para escola e ter aula de como se faz uma verdadeira e boa adaptação de games para o cinema… E pode começar fazendo isso só olhando para o lado ou para os números e o conjunto da obra de “Super Mario Bros”.
Para “Dungeons & Dragons: Honra Entre Rebeldes”, dou nota: 4.0
*As opiniões dos colunistas são pessoais e não refletem necessariamente as do site

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